Contextualizado – Com Textos Atualizados
Terça-feira, 19 Dezembro 2006
Liberdade ou Libertinagem?


      De todas as atrocidades que estão sendo cometidas, é impossível descrever qual é a pior. Parece que estamos vivendo em pleno longa-metragem daqueles onde tudo pode acontecer, uma comédia onde somos os atores principais, e como toda boa comédia, produzimos o riso de todos através de nossas desgraças. Mas de qualquer forma, esse texto tem o intuito de chamar a atenção dos espectadores para aquilo que não está devidamente claro no script.
      Estão, mais do que nunca, destroçando a nossa liberdade, e isso o Willam Bonner esqueceu de mandar a Fátima Bernardes dizer. Nenhum jornal projetará discussões filosóficas sobre o homicídio doloso que acontece todos os dias nas ruas, nos becos, nas “vieiras soutos”, nas casas, nos televisores, nas igrejas, na cama, nos carros, em todos os cantos onde há gente no meio. Somos assassinos das nossas próprias liberdades. E sem nem termos chances ao autojulgamento, somos condenados a autocarceragem.
      O seguro é de automóveis, ele não nos garante nenhuma futura tranqüilidade. Quando a sociedade comete um assalto, quando nos leva um bem valioso, está levando muito mais do que um objeto. Disso todos nós estamos cansados de saber, de sofrer, de sentir. Pouco a pouco estamos nos apegando ao medo. O medo é aquele que protege e aquele que censura, e se nos censura, lá se vai, mais uma vez, a nossa tão sonhada liberdade.
      Seqüestros falsos combinados estrategicamente com terrorismo via telefônica, hackers, policiais que buscam fazer justiça descobertos pela farda constitucional, seqüência de escândalos políticos, mortes cada vez mais freqüentes e mais cruéis, caos aéreo, caos urbano, caos. A nossa liberdade cambaleia numa corda banda que é, também, o limítrofe entre um poço de desespero e desesperanças, e uma rede furada de falsas alegrias.
      Um paliativo aqui, outro ali. Os remédios que realmente funcionam também estão retidos pelas fiscalizações sociais, pelos preconceitos, fofocas e recalques de sempre. Podemos culpar a mídia, o poder público, o vizinho ou o que quer que seja, a culpa não é única, não é simples, não é nada. A culpa é sempre um tipo de assessório específico com o qual seguramos a responsabilidade e jogamos no colo de alguém. Assim fica mais fácil.
      Se caminhamos rumo a um final feliz eu não sei, mas parto de uma pressuposto que se é final, não é feliz. O ano termina e não deixará saudades, pelo menos quanto aos acontecimentos de maior relevância dentro do universo coletivo. Esse texto termina, e não deixará saudades, pois foi apenas mais um que exaltou as tristezas de se viver em um país de tamanha leviandade. E por fim, a nossa liberdade está para acabar, mas não deixará saudades, afinal não me lembro da última vez em que a tivemos. Pedirei de natal.




Por não mais que dois minutos
Eu almejara obter-me em liberdade
Embaixo da poeira humana
Atrás da hipocrisia nossa
Por cima dos guarda-farpos
Entre o convívio e o desprezo
Por todos cantos onde coube, procurei
Até que nas entrelinhas do inimaginável
Onde menos podia-se achar
Com espanto, me vi solto
Leve e livre, a levitar
De tão livre, fui além
No além, me vi mais livre
De tão livre não notei
O quanto de mim por lá se ia
Lá se vão os sonhos, segredos e sentidos
Pelo mesmo caminho, tudo é vão
Então transgrido eu do livre-estar
Para as presilhas, algemas e correntes do meu ser.


Esse quadro é de uma artista plástica chamada Edda Bettinzoli, chama-se Liberdade.
Quero pedir desculpas pela sequências de textos porblemáticos, digo, que abordam assuntos não muito agradáveis. Mas creio que seja reflexo do momento em que estamos vivendo, ou de algum timpo de pessimismo que pode ter me contaminado. Acredito em qualquer das duas hipóteses mas coloco mais fé na primeira.
Mais uma vez agradeço a sua visita! E peço que deixe um comentário dizendo exatamente aquilo que você achou sobre o assunto, o texto, o blog, ou qualquer coisa que você queira expor, pois ao menos aqui a liberdade é garantida, ou não?
Escrito por Kadu de Oliveira em Terça-feira, 19 Dezembro 2006
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Quinta-feira, 14 Dezembro 2006
Macaco, Você Quer Banana?


    Que bonitinho, ele aceitou! Tirou a casca com todo o cuidado e engoliu de uma vez só. Isso é o que eu chamo de esperteza! Só mesmo por essas bandas de cá, nesse formoso céu risonho e límpido, essa terra com palmeiras onde canta o sabiá, que biodiversidade! Nossos macacos são os mais inteligentes do mundo, obviamente, são também os mais bem pagos. Temos de todas as raças, tamanhos, partidos, uns se pintam de vermelho, outros mais parecem aves de narizes alongados. Uma festa!
    E é por isso que me orgulho! Enquanto os primatas de outros cantos desse planeta estão mijando por entre as grades do zoológico, comendo pipoca doada pelas criancinhas ou até se pendurando num galho aqui, outro lá; Nossos macaquinhos promoveram uma reunião e botaram pra quebrar. Não tem nada de modéstia. Economizar é pra país de pequeno escalão tipo os Estados Unidos, onde a macacada vai comer só dois por cento a mais no ano de 2007. Argentina? Nem se fala! Aquilo é uma vergonha...E na Inglaterra eles estão quase aprendendo conosco, mas ainda não conseguiram.
    Aqui no Brasil é que mora a felicidade burocrática dos chipanzés! Nós não vamos ter um poder de compra duplicado no ano que vem, muito menos o salário, nem se quer a qualidade de vida, mas os deputados e senadores vão receber dobrado! Perdão pelo exagero, não é cem por cento de aumento, é noventa e um. O resto, por amor à pátria, eles dispensaram. Mas é justo, coitados. Desde de 2003 eles não recebiam se quer um aumento.
    Mas agora o bicho ta pegando! O macaco que tem seu habitat natural na câmara dos deputados – não precisa freqüentar muito, não – tem direito a uma verba indenizatória equivalente a quinze mil reais, mais cinqüenta mil para gastar com frutas tropicais em seu gabinete, três mil para o auxílio moradia, quatro mil para correios e telefonemas e quatro passagens de ida e volta para que ele possa visitar os animais – nós? – que o elegeram em seus respectivos estados. Além, é claro, do novo salário reajustado, uma quantia equivalente a vinte e quatro mil e seiscentos.
    Dentre o pessoal que votou, somente três macaquinhos foram contra. Devem possuir algum problema, talvez algum tipo de anorexia entre primatas. Mas de forma alguma me espantou, foram eles: Heloísa Helena (vai deixar saudades), Chico Alencar e Henrique Fontana, integrantes dos partidos P-Sol e PT. Ihhh...essa é a hora em que o esquerdista bate no peito diz: “Viu!” O problema é que a lista dos que votaram a favor é mais do que oito vezes maior que esta e possui macaco de todas as tribos, inclusive PC do B, o que não é surpresa. Apenas P-Sol foi totalmente contra.
    Eu fico imaginando o que aconteceria se essa medida fosse tomada num país sério. Não que eu diga que o Brasil não merece tal epíteto, pelo contrário, a coisa aqui está mais séria do que nunca. Aqui os macacos estão rindo da nossa cara, é puro deboche! Eles estão gozando da nossa passividade, afirmando que somos incapazes de perceber a macaquice armada, estão achando que isso vai ficar assim! Que não vai haver nenhum quebra-quebra, nenhuma reivindicação ou passeata. Não! Nossa revolução é silenciosa, estamos vendo a novela das oito pensando no amanha. Quando eles menos esperarem faremos valer o dito: Cada macaco no seu galho. Nós aqui, eles lá
.


Mas nem tudo está perdido, não é mesmo? Enfim houve um aumento que nos facilitou a vida, trabalhadores e estudantes. O aumento da passagem de ônibus na cidade do Rio de Janeiro! Agora melhorou, não precisa de troco, a conta é certa, dois pra ir, dois pra voltar. Uma beleza!


Dessa vez não precisarei pedir que comentem. Ao ler, como bons brasileiros, serão tomados por um ímpeto incontrolável que os farão fazer comentários tão longos quanto nosso conformismo. Obrigado pela vistia! Voltem sempre...
Escrito por Kadu de Oliveira em Quinta-feira, 14 Dezembro 2006
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Domingo, 10 Dezembro 2006
Vá à Deus, Pinochet



    Para determinadas coisas que fogem a fragilidade humana, a morte não é o fim. Deste modo, somos hoje obrigados a nos lembrar daquilo que sondou os noticiários de todo o planeta há algum tempo atrás. Morre – com tantos pesares – o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, já suas façanhas não o acompanham em seu túmulo, são tantas, não caberiam. Suas façanhas são eternas, eternizadas pela história.
    De qualquer forma, não há luto que se erga forte perante essa morte. A nação chilena poderá ter todo o direito de amanhecer uma segunda-feira mais feliz, ou ao menos mais tranqüila. Ou se não, ao contrário! Tomara que não só o Chile, mas todo cone sul acorde com a memória fresca, e lembre que a notoriedade do homem que morreu hoje, aos noventa e um anos de idade, começou exatamente no dia em que morreram muitos outros, e que morreu, também, a luz vermelha de tempos igualitários. E aí sim, sem dúvidas, amanheceremos raivosos.
    Na eterna discussão platônica entre quais seriam os melhores caminhos a percorrer, o da justiça ou injustiça, Sócrates defende com unhas compridas e dentes afiados uma vida regida pelas rígidas cordas da honestidade. Mas é questionável, afinal, temos como exemplo a dualidade entre as realidades presentes nessa data. Salvador Allende, esse sim pode testemunhar a tamanha injustiça em que se fez os rumos da política chilena.
    Noventa e um anos de vida é tempo demais para alguém que exterminou milhares de vítimas que pretendiam, com sorte, chegar a essa idade. Mas de certo não chegariam. Chegar a essa idade deve dar trabalho, deve exigir tratamentos caríssimos, qualidade de vida otimizada, regalias inquestionáveis e tudo aquilo que apenas um injusto rico conseguiria empossar durante toda sua vida larapia. Sim! É impossível dizer quantas mortes Pinochet produziu. Que máquina de calcular agüentaria fazer a soma dos incontáveis mortos pelo exercito chileno, mais os mortos por falta de assistencialismo governamental? O dinheiro, na época, já era desviado. E assim como hoje, era remetido aos injustos.
    O vasto currículo do general não nos deixa chorar. Nossos valores morais, não nos deixa sorrir. Afinal, não devemos nos igualar a tamanha monstruosidade e festejar uma morte, de quem quer que seja. Mas damos um adeus simbólico. Um adeus a ele, e a qualquer tipo de manifestação que se faça sob esses moldes. Adeus, Pinochet. E se aqui, ele mesmo foi quem produziu o inferno, torço para que vá aos céus, onde a verdade absoluta faz sangrar o coração dos ambiciosos liberais, posto que lá “todos são iguais perante Deus”.


Pelas beiradas da loucura o mundo vai
Pelos rasgos da intolerância o mundo nasce
Como tudo que se expande, o mundo cresce
Como tudo que se acaba, o mundo cai

Esse mundo onde a sorte é um pretexto
Nessas bandas onde o texto é como um corte
Essa selva de abismos, cunhada a braço forte
A relação intermundana é como um incesto

Nas cadeias onde mundo de limita
Nos terraços onde o homem se liberta
Nas calçadas onde a morte nos intriga

No escuro o mundo estoura, a alma fura
No buraco em que a existência se completa
O exato espaço onde a beirada faz loucura
Escrito por Kadu de Oliveira em Domingo, 10 Dezembro 2006
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Quarta-feira, 29 Novembro 2006
É Pra Rir Ou Gargalhar?


    Todos nós deveríamos reservar meia hora diária para nutrir o hábito de dar risadas. Rir um pouco de tudo que mereça escárnio, rir do que parece sério, do que quer se fazer parecer sério, rir de nós mesmos, rir dos outros, rir das aspirações próprias e alheias, rir quando todos aspiram o mesmo, e esse mesmo é risível.
    Não estou aqui fazendo apologias ao deboche. Acho, na verdade, que o deboche é uma arte, e como toda manifestação artística deve ser praticada por aqueles que o sabem praticar. O hábito de rir é mais pueril, digamos, mais ingênuo. Rir pelo simples fato de rir. Desligar o significado dos reais significantes, e eis aí o motivo das risadas. Um contra-senso, contra-cultura, contra-contrário, contra-controle, contra-controverter. Como se apagássemos a fogueira de Platão e por apenas trinta minutinhos nos desatássemos das correntes! Não precisaríamos visitar outras realidades ou mundos, apenas gozaríamos de uma nova invenção, uma nova risada!
    Durante vinte e três horas e meia podemos nos sentir como o capitão de um time de futebol que ergue a tão cobiçada taça de um título mundial! Mas durante os nossos trinta minutos de ousadia, vamos rir daquela felicidade que, na escuridão dos sentidos sociais, é absurda. Podem então dizer, os homens enrijecidos pela falta de riso, que o ânimo é justo, o mundo todo gostaria de erguer o troféu, mas só ele conseguiu. E então diremos, ou melhor, e então questionaremos: e porque o mundo inteiro quer por a mão nessa taça? Nos dirão sem hesitar que aquilo significa vitória, poder, conquista, e mais mil significados que convergem em um só ponto, a ilusão.
    Porque é assim que vive o ser humano. Na eterna busca pela confusão, pelo ilusionismo que se aplica à vida. Não nos contentamos em ser apenas animais daqueles que nascem, crescem, se reproduzem e morrem, nós somos muito mais – ou muito menos? O homem inventa mais motivos para existir que não os próprios de sua existência. Isso é ótimo, mas engraçado, e por ser engraçado, é maravilhoso.
    Assim a humanidade segue seu rumo, vivendo a invenção mais plausível. Ou sendo obrigada a viver sob a invenção instituída à força. É preciso duvidar do que nos é apresentado, são mais subterfúgios para que possamos nos adequar, nos admitir, nos aceitar...Um método de coerção que atinge os nossos próprios impulsos, sentimentos, sentidos, vontades. Querem nos fazer sentir amor, fome, dor, tédio, em uniformidade, quando podemos amar o tédio, e doer de amor da forma que bem entendermos. O controle não se dá com fins, mas provoca o fim.
    Daí vamos rir de nós mesmo, pobres seres humanos que somos obrigados a entrar no jogo e dançar conforme o irritante ritmo da festa; Dos outros, vedetes de uma realidade que os leva ao nada; De todos, que são os verdadeiros construtores do esquema eterno de sobrevivência acéfala racional; E enfim, desse texto e desse autor, que se preocuparam com o fim de um regime onde todos são felizes, ou pelo menos aparentam ser, ou pelo menos tentam ser, ou pelo menos se contentam em saber que jamais serão.



Rio, pois quem ri alcança
Pois quem ri não cansa
Pois quem ri sou eu
Rio, quem ri não tropeça
Quem ri se arremessa
Ri quem não morreu

Rio, pois é meu remédio
E o teu sacrilégio
É me ver sorrir
Rio, pois quem ri almeja
Pois quem ri deseja
E eu rio de ti

Rio como quem ri calmo
E não lê o salmo
Da libertação
Rio, pois quem ri não erra
Quem ri, também não peca
Rir é o perdão.

Rio no deboche pleno
Seno e co-seno
Rio x mais x
Rio do jeito que quero
Rio e não te espero
Pois estou por um triz

Rio, mas rio olhando
Que quem ri pensando
Tende a incomodar
Rio, segurando riso
Pois quem tem juízo
Não vai se arriscar

Conheço quem ri ouriçado
Riu despreparado
Hoje não ri mais
Ria cheio de ousadia
Ria e não sabia
Quem tem gente assaz

Tem gente que é paga pra isso
E eu sei bem disso
Pra nos censurar
Por isso, eu rio na moita
E quando o riso açoita
Rio sem parar



Espero que gostem, ou não.
Espero que comentem! Não porque preciso aumentar o número de comentários para que o blog pareça mais conhecido ou qualquer coisa do tipo, mas preciso saber o que vocês acham! Preciso saber quem anda lendo isso aqui, como vocês são, o que pensam a respeito.
Muito obrigado pela visita, mais uma vez.
E não se esqueça de deixar um comentário!

Escrito por Kadu de Oliveira em Quarta-feira, 29 Novembro 2006
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Terça-feira, 21 Novembro 2006
Anoréxicos E Subnutridos - Um Na Mídia, Outro na Merda


Tão sabendo? Saiu nas capas de todos os jornais, abriu todos os noticiários, estampou a capa das mais sérias revistas do país. Uma tal de a-no-re-xia. Claro que você já ouviu falar, afinal, foi obrigado a ouvir falarem. Quantas vezes viu a foto da modelo Carolina Reston com seus ossos e olheiras à mostra? Lamentou pela morte de uma moça tão jovem? Eu também.
A Época trouxe em sua matéria que cerca de 1,4 milhão de mulheres sofrem dessa doença no Brasil. Número relevante, não? Sim! Mais relevante ainda é o que leva esse número crescente de meninas buscarem esse tipo de vida. Será possível que todos os jornalistas esqueceram de procurar o porque dessa história? É composto básico de toda forma de jornalismo, temos que responder as seis perguntas básicas formadoras do famoso lead (ou lide) e uma delas é “Porque?”.
Posto que a anorexia é uma doença, é preciso buscar quais são as formas de contágio? O que causa? São vírus, bactérias, protozoários, fungos ou ego, vaidade extrema, senso de beleza absurdo? Ou tudo isso junto, alimentado pela mídia, pelos meios, pelos métodos, pelas miras afoitas dos fotógrafos, pelas nossas miragens perfeitas, por nossa mentalidade tão fútil?
Sim, é claro que a anorexia mata e faz vítimas. Vitimas que são, ao mesmo tempo, suicidas. Passam fome para alcançar o sonho astuto do poder e satisfação profissional e financeira. Mas essa doença não é o único tipo de fome que o brasileiro passa. Opa! Calma ae, essa tal de anorexia é de longe a fome mais sentida no nosso país. Para nós que estamos super informados, portanto sabemos de tudo sobre anorexia, mas não sabemos nada sobre a fome que maltrata o norte e o nordeste do Brasil, vamos buscar saber, pois os meios de comunicação não dizem.
Estima-se que trinta e dois milhões de brasileiros passam fome! Não, eles não estão engajados em uma dieta sinistra para perder peso rapidamente. Tão pouco estão preocupados com padrões estéticos da nossa saudosa sociedade. Eles simplesmente não possuem o que comer. É o contrário, eles precisam comer. É a sobrevivência quem manda, mas eles não possuem renda, nem rede de televisão para mobilizar pessoas, não possuem emprego, mas possuem trabalho. Possuem trabalho, mas não possuem dinheiro.

O nome dessa doença que aflige nove milhões de famílias todo mundo também conhece, é subnutrição. Comum em países em desenvolvimento onde a renda não precisa ser distribuída. Comum em sociedades como a nossa onde parece não existir responsabilidade social. Com tudo isso eu já estava começando a me acostumar, essa falta de caráter coletivo, o que me espanta é o furor que se fez em volta de assunto tão inusitado.

A sensação que tenho é que o pobre só é cuspido nas primeiras folhas e capas dos meios de comunicação quando não há nada mais desinteressante ou desnecessário a ser mostrado. Quanto às anoréxicas, o que faremos nós? Nada, não adianta doar comida. E quanto aos nossos subnutridos, o que faremos nós? Nada, não somos nós que sentimos a barriga rugir pedindo aquilo que não tem pra dar. Ninguém força uma reflexão sobre a falta de alimentação forçada, mas, agora, temos como pensar em, talvez, morrer pela beleza inalcançável. Meus sentimentos e pesamos...àqueles que morrem pelo descaso e não pela atenção mundial.




É fome que me ronca o buxo
E que me rasga a alma

É o corpo quem se aplica à pena
O esqueleto treme, a perna em varapau

Já a cabeça lá do alto cansa
Gigante, balança, pronta pra cair

Mas a boca de nervosa ataca
Um calango, um crime, um grito

A dentição afoita rasga a noite torta
E assim mastiga em deglutir raivoso

E engole seco sua sobrevivência.



Obrigado, mais uma vez, pelas visitas!
Pelos comentários, e-mails e scraps!
Muito Obrigado.
Escrito por Kadu de Oliveira em Terça-feira, 21 Novembro 2006
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Segunda-feira, 20 Novembro 2006
Dia da Igualdade Entre as Raças?


Em roda podemos aplaudir uma cultura que assim se fez. Uma roda de samba, de capoeira ou de candomblé são apenas algumas das manifestações culturais herdadas pela existência de uma raça caracterizada pela força, garra e sobrevivência. O legado da cor Negra foi, durante séculos, rejeitado e reprimido por sociedades mais ricas e poderosas.
Hoje é o dia da Consciência Negra, nome pomposo, não? Homenagem aos negros seria se essa data tivesse outra nomenclatura, dia da Consciência Branca talvez. Afinal, foi o homem branco quem produziu – deixou de produzir? – os piores quadros de descriminação racial que a história pode mostrar. Após tudo isso, é muito pouco dedicar um dia do ano à Zumbi dos Palmares. Há necessidade de algum tipo de conscientização social global.
Nas reflexões internas de cada negro brasileiro devem estar presentes fatos que envergonham toda a historiografia. Nos primórdios, a igreja afirmava que um ser negro não possuía alma, sendo assim, podia ser escravizado. Após séculos de chibatadas, sangue, dor, lágrimas, perdas e lutas, a igreja resolver rever seus conceitos, a sociedade se mobilizou, e hoje os negros estão inclusos em nossa sociedade, não é verdade? Não!
Movimentos políticos varreram a Europa lutando pelo direito de varrer a cor preta, e todas suas “vertentes”, do mundo. Ganhou força, chegou ao poder, promoveu matanças, causou guerras, foram combatidos, mas não pela questão social, sim pela questão econômica. A religião afra foi, e ainda é, proibida. Quando permitida, é vista com maus olhos por gerações que trazem no gen o traço do preconceito.
Hoje em dia o negro sofre recebendo salários mais baixos pra executar a mesma tarefa do branco. Sofre e sofreu com a ausência de responsabilidade de todos – eu disse: todos – os governos que tiveram a oportunidade de governar esse país. Sofrem ainda mais com hipocrisia absurda que ronda os meios de comunicação e as grandes instituições.
Hoje é o dia em que vamos nos deparar com todos os canais divulgando mensagens belíssimas como a da TV Globo: “Diversidade: A gente vê por aqui”. Claro que vemos. O final da última novela das sete representa muito bem qual é o tipo de diversidade que se vê por lá. O núcleo preto termina pobre – feliz, mas pobre – enquanto o núcleo branco termina feliz e rico. Tenho a impressão de que se não fosse regra geral o final ser feliz, alguém sairia desprivilegiado, e quem seriam?
Não precisa-se dar aos negros nada que não foi dado aos brancos. Dispensam cotas, filas especiais, banheiros segregados, espaços próprios na cidade, empregos reservados, incentivos risíveis ou qualquer outro tipo de paliativo que serve para enganar e confortar a população. O negro só quer aquilo que lhe é direito posto que é cidadão brasileiro tanto quanto qualquer branco.
Permitam-me então dar um palpite abusado. Que tal tratarmos o dia 20 de novembro como Dia da Igualdade Entre As Raças? Incomodaria muito, se todas as raças fossem tratadas com igualdade, pelo menos perante a nossa concepção? Ou será que é a raça branca que tem medo de se confrontar diretamente, desta forma, se protege atrás de conceitos pré-definidos? O homem branco sofre no bailar do capoeira, no chute rápido, no movimento integro, não entende o batuque santo, nem se diverte com o batuque samba. Ao homem branco faltam pingos gordos e fartos de consciência. Ao negro não falta nada, somente oportunidade.




Esqueço do caos na batucada da alegria
Ritmo, risos, reboliços, Rio!
Festa sem motivo, com propósito evidente
Reunião sem pré-conceitos, requisitos ou convites
Do mendigo alimentado pela euforia
Ao rico nocauteado pela simplicidade
Do homem feio extrovertido pelo Álcool
Ao esbelto sedutor de esperanças
E existe verdade absoluta!
Quem ali está vem despido de tristeza
E mesmo que a tenha, ali irá livrar-se
Falemos de política, falemos de eleição
Mas só depois do Samba...

Carnaval no social, festa na inflação
Esqueci de tudo, fiquei Surdo.
A Mulata ainda samba, é isso que interessa
Se na desgraça estamos, pra que dela provar?
Tapo os olhos – só hoje – e vejo ela sambar
No vai e vem desse quadril, ó pais, ó Brasil!
Ainda sois submisso, ainda sois dependente
Nossa moeda menos vale, mas nos vale essa pena
Salva de palmas à indústria e a tecnologia que custa milhões
Mas gringo, caro gringo...
Escute e veja-nos sambar, e obedeça:
“Você não samba, mas vai ter que aplaudir”




Esse texto foi publicado na X Coletânea da Editora Comedi, onde tive a honra de participar com esse e mais dois textos. Espero que gostem. Não se esqueça de deixar seu comntário! É realmente muito importante.
Quero agradecer aos comentários do "post" anterior. Osmary, meu amigo Fernando, Paula, meu grande amigo Vinícius, uma flor chamada Lígia e a minha linda, Lorena.
Agradeço, mais uma vez, a sua visita!
Muito Obrigado.
Escrito por Kadu de Oliveira em Segunda-feira, 20 Novembro 2006
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Domingo, 19 Novembro 2006
A palavra que melhor define a sensação de um primeiro “post” é responsabilidade. O que é que eu vou escrever? Ou melhor, o que você quer ler? Talvez essa não seja a melhor forma de começar. Mas se não for desse jeito, pode ser a melhor forma para se terminar.
Muita gente faz “blog” para contar sobre suas próprias vidas, eu sempre achei isso um ato de extrema petulância. A pessoa escreve como foi o dia, a semana, o mês ou até a noite dela, achando que isso realmente irá interessar a alguém (no caso de descrever a noite, geralmente interessa, vide Bruna Surfistinha). Mas enfim, tentarei dar mais respeito aos interesses e expectativas dos meus leitores (se é que os conquistarei) e não escreverei como fui na prova de anteontem, nem como me sucedi na “festinha de sexta-feira”.
Pensei em simplesmente postar um texto qualquer que escrevi há tempos atrás. Mas poderia ser um espanto, como não? A pessoa acessa o site e se depara com um singelo texto em verso que pode não significar, a ela, absolutamente nada? Não, também achei de um tanto petulante. É como se meus versos fossem em si tão importantes que sozinhos bastassem. Coitados, tão indefesos. Tão moços, pueris, tímidos e quietos. Não, eles não merecem o destaque nesse “blog”, mas pela ingenuidade e coragem de posarem sob olhos cruéis de uma crítica viva, merecem ao menos um gracejo da sua interpretação ou um carinho leve da sua paciência.
Certo ou errado, bom ou ruim, o meu primeiro “post” é esse, uma viagem quase metalingüística que não passa de uma reflexão desesperada sobre como inaugurar esse espaço. Aqui está, Contextualizado – Com Textos Atualizados. Espero que vocês gostem.


Não mais está branco este papel
Meu rabisco é um consolo
No fundo do branco infinito
Que há de chegar ao céu

No alto, mais que alto, atmosfera
Além de lá com um poema
E mais além com dois ou três
No ápice utópico da poesia

Combino e ordeno as palavras
Faço delas instrumento
Com elas brinco no universo
Que em verso é tão pequeno

Ou então é tão imenso
Que o fim – da poesia – é invisível
Nasce assim o incalculável:
A arte escrita nessa folha.



Esse texto chama-se Metalingüística de um Poema e resolvi colocá-lo pois a situação parece propícia.
Até o próximo post.
E muito obrigado pela visita!

Escrito por Kadu de Oliveira em Domingo, 19 Novembro 2006
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